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© Fotografia Ricardo Cruz |
Sou
uma pessoa francamente orgulhosa das minhas origens e do meu País. No entanto,
há momentos em que tenho imensa vergonha de pertencer a este País. Sim, é
verdade e peço desde já desculpa se feri susceptibilidades. No domingo, ao
assistir a uma reportagem na TVI, foi um desses momentos. Como é que é possível
que se percam vidas e que nada seja feito para pôr um fim a tais situações?
Como é que se fecha os olhos perante os problemas e se age como se não
acontecesse? Não entendo. Não estamos a falar de objectos, estamos a falar de
pessoas. De famílias. Da nossa gente. Porque motivo as entidades competentes
não fazem o que lhes compete e cuidam de todas estas pessoas? Expliquem-me como
é possível que tenhamos os nossos polícias a viver em camaratas, sem qualquer
tipo de condições, sem dignidade? Ninguém merece viver assim. NINGUÉM! Diziam,
na reportagem, que “não temos as pessoas
certas nos sítios certos”. Talvez seja esse o problema. Todos querem ir
para o poleiro, mas não querem ter trabalho. Não têm o cuidado de pôr mãos aos
problemas e tratar de os resolver. Não se faz nada. Ignora-se o problema,
afinal “não é nada connosco”. Temos casa, família, trabalho, carro. Não precisamos
de contar o dinheiro para chegar ao fim do mês e conseguirmos pagar as contas.
Não temos de contar o dinheiro para termos a capacidade de pôr comida na mesa.
É um egoísmo tremendo. Egoísmo e falta de respeito para com quem, diariamente,
põe a vida em risco para nos salvar. Para VOS salvar, Senhores Ministros. Invertam
os papéis e sejam vocês a salvar-lhes a vida desta vez. São pessoas. Pessoas
com tendências suicidas. Pessoas com dificuldades em todos os aspectos. Estas
pessoas, estes agentes, necessitam de apoio psicológico. Apoio esse que não existe,
pelo simples facto destes agentes não terem dinheiro para o financiar. Agora eu
pergunto: Não deveria este ser um apoio à disposição dos agentes, sem que estes
se vissem obrigados a pagar para poder usufruir? Revolta-me a arrogância e a
falta de interesse por parte de um tal Fernando Passos, que se diz Responsável
do Gabinete de Psicologia da PSP. Que indiferença, que pessoa tão fria, que
falta de interesse em relação a um assunto tão sério quanto este. Será que
ninguém tem noção que este é, de facto, um assunto grave? É um problema que já
há muito deveria ter sido resolvido. São vidas que se perdem. São filhos que ficam órfãos de pai. Pais que perdem os filhos. Mulheres que perdem os maridos.
Maridos que perdem as mulheres. Criminosos tratados como réis, e agentes da
Polícia tratados como se fossem criminosos. Parabéns, meu querido País, de
facto tens evoluído bastante em diversas áreas. Merecemos dignidade. É o
mínimo. Estas pessoas, não têm dinheiro nem para pagar a cantina aos filhos.
Alguns, por vergonha, guardam para si. Tentam encontrar uma solução, sem terem
que recorrer a terceiros. Vergonha de dizerem que, apesar de serem polícias,
não têm dinheiro para pagar as despesas. Pessoas que não dão a cara, para se
resguardarem a si e aos seus, mas que relatam toda a problemática que tentam
esconder. Mas o problema existe. Diziam, aliás, “que nunca se bateu tanto no fundo”. Acordem! Está na hora de agir!
Não deixem que este problema se continue a arrastar. Que se continuem a perder
vidas. Não deixem que o número de suicídios continue a aumentar. No ano
passado, foram 8 os polícias que puseram termo à vida. E este, é o único problema
realmente impossível de solucionar. Mas é possível ainda, evitar que este
maldito número continue a aumentar. É possível oferecer a estas pessoas os
cuidados que necessitam. Mas nada cai do céu! É necessário que se reúnam
esforços e, acima de tudo, que nestas situações se pense um bocadinho com o
coração. “Vejo humanos, mas não vejo
humanidade.” É isto que sinto. E é também isto que me envergonha e faz ver
que, na verdade, limitamo-nos apenas a olhar para o nosso umbigo. Tudo o resto
é indiferente. Assusta-me o facto de pertencer a um País no qual perdemos a
nossa gente por coisas que podiam ser resolvidas. Somos de extremos. Para o bem
e para o mal. Ninguém está atento aos sinais, aos sintomas que estas pessoas
apresentam. Até que põem fim à vida, mas depois “que pena, era um gajo
porreiro.” Não deixem que se bata no fundo para verem que está na altura de
agir. Ajudem quem realmente precisa, invistam onde é realmente necessário
investir. Não é normal que, durante uma formação de tiro, um agente tenha sido
contaminado por substâncias altamente cancerígenas, tal como foi confirmado nas
análises que fez, esteja a necessitar de repetir alguns exames, fazer outros,
consultar outros especialistas.. Mas não há dinheiro. E não havendo dinheiro,
não há tratamentos. É suposto deixar morrer estas pessoas? Não!!! É suposto
cuidar. Apoiar. Tratar. Deixem-se de arrogância, de indiferença. Preocupem-se
com os nossos. A nossa gente. Estes agentes são, na verdade, os heróis do
quotidiano. Não só por selarem por nós, pela nossa segurança, mas também por
tentarem manter-se à superfície, ainda que o mar esteja agitado e a tendência seja
afogar-se. Caem eles e, por arrasto, cai a restante família também. Tocou-me
profundamente, ao longo da entrevista, ter ouvido um agente a dizer que “se eu desaparecer, a minha família fica
bem. O problema em si acaba.” Está errado! Estas pessoas, não são o
problema. O problema está no País e em quem o governa. Que pensa que bom mesmo
é estar no poleiro, é ter o título de Ministro disto ou daquilo. Esquecem-se,
no entanto, do mais importante: Selar pelo País e pela nossa gente. Acordem.
Ajam. Façam com que tenhamos orgulho do País ao qual pertencemos.
Não vi a reportagem, mas vou procurá-la.
ResponderEliminarEste país já nos dá poucos motivos de orgulho e infelizmente, cada vez piora mais.
ResponderEliminar«Todos querem ir para o poleiro, mas não querem ter trabalho», agora disseste tudo!
ResponderEliminarEste nosso país cada vez mais me desilude!
ResponderEliminarr: Muito, muito obrigada *.*
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